Beleza e património únicos entre os serpenteios do rio Varosa

O nome Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao século XVII, e que significa casebre ou lugar de diversão.

Ucanha foi vila e sede de concelho até 1836, quando foi integrada no concelho de Mondim da Beira. A integração no actual município de Tarouca data de 1898. A aldeia fica localizada numa encosta que desce até ao rio Varosa (ou Barosa). O vale limitado pelas colinas arborizadas da Serra de Santa Helena apresenta um bonito enquadramento paisagístico.

O principal ponto de interesse é a Torre de Ucanha, classificada desde 1910 pelo IPPAR como monumento nacional. A Torre proporcionava funções de defesa junto à ponte medieval, o controle de pessoas e bens e ainda a cobrança de portagens, cujos rendimentos beneficiavam o couto monegástico de Salzedas. A ponte porém continuou a ser usada sendo um dos principais pontos de passagem do rio. Entre a antiga ponte e a nova existe uma praia fluvial.

Os primeiros povos que aqui se instalaram foram os romanos, que aproveitaram as terras férteis do vale do Varosa e criaram pequenas explorações agrícolas. Ainda hoje se pode ver uma das principais vias da romanização que conduzia a Braga.

Para saborear a aldeia em pleno é fundamental caminhar nas suas ruas estreitas, deslumbrar-se com o conjunto colorido de casas, visitar a Igreja Matriz de São João Evangelista do século XVII com o altar-mor revestido de talha dourada barroca, bem como as ruínas da Abadia Velha e dar um salto às Caves da Murganheira para poder apreciar o seu famoso espumante.

Uma Aldeia imperdível, com tanto para descobrir

Uma visita obrigatória na Aldeia Vinhateira de Ucanha é, sem dúvida, a Ponte e a Torre. Este conjunto, ex-libris da freguesia e do concelho de Tarouca, está classificado como Monumento Nacional. A ponte fortificada, única em Portugal, testemunha a organização senhorial medieva, numa época em que a economia dominical se baseava na cobrança de direitos e foros.

Estes dois elementos singulares foram mandados erigir pelo Abade D. Fernando, para protecção da entrada para as chamadas terras do mosteiro de Salzedas. Deduz-se que a povoação se tenha desenvolvido devido à obrigatoriedade da passagem da ponte. A torre terá sido elevada, a partir do momento em que o convento de Salzedas adquiriu os direitos de portagem da mesma. Obrigatória é a visita a este conjunto, de excepcional beleza, sob um pano de fundo colorido e verdejante.

A Igreja Matriz de São João Evangelista, em Ucanha, caracteriza-se pelo singular contraste entre a sobriedade da composição arquitectónica exterior e a riqueza decorativa do interior, com expressiva talha dourada a preencher os retábulos e primorosos caixotões no tecto pintados que nos contam a vida de personagens bíblicas.

O arco triunfal e o retábulo-mor revelam um tratamento estilístico distinto, também em talha dourada, mas de características barrocas, com elementos de transição para o estilo nacional joanino. Ao percorrer a Aldeia Vinhateira de Barcos não deixe de entrar neste templo e desfrutar do contraste entre a frieza do granito e a luz que a talha revestida a ouro imana.

A Aldeia Vinhateira de Ucanha distribui-se de forma singular. A povoação desenvolve-se sob a encosta, que desce até ao rio Varosa e caracteriza-se por apresentar uma só rua, a Rua Direita ou Rua Principal.

Perpendicular ao rio, esta rua atravessa toda a aldeia, interrompida por diversos recantos, traduzidos em travessas, aberturas redutíveis e pequenos becos e quelhos de acesso a campos de cultivo.

Ao iniciarmos a subida, a partir da ponte e torre, elementos matriciais do conjunto urbanístico, somos surpreendidos pela expressividade das varandas, em madeira, pintadas de vermelho, azul e verde, matizando com a sobriedade dos alçados, caracteristicamente rurais. O esforço da subida é compensado pela alegria, a cor e a originalidade da formação deste conjunto que, com o rio bem lá no fundo, remata a última pincelada de um quadro perfeito.

Ao iniciarmos a nossa visita à Aldeia Vinhateira de Ucanha, somos logo surpreendidos por este exemplar seiscentista, classificado de Imóvel de Interesso Público.

Este pelourinho foi desmantelado em data desconhecida, mas em 1935 é reconstruído, a partir da identificação de duas partes – o fuste e o capitel, atribuindo ao pequeno largo onde se assenta, um perfeito e valorizado enquadramento.

A Quinta da Abadia Velha, situada entre Ucanha e Salzedas, é tradicionalmente apontada como o local de assentamento primitivo do Mosteiro de Salzedas.

Esta Abadia foi, outrora, possuidora de um vasto património, aumentado por compras e doações, transformando-se numa das mais ricas casas da Ordem de Cister em Portugal.

Podemos, ainda hoje, contemplar estas ruínas, desfrutando da musicalidade das águas do rio Varosa, que se estendem um pouco mais à frente, e apreciando a paisagem envolvente.

 Venha visitar, em Ucanha, as Caves da Murganheira, fundadas em 1947 e situadas em território cisterciense, no lugar de Abadia Velha.

Estas caves, originais, são escavadas em rocha de granito azul apresentando, em vez de pipas, garrafas, muitas garrafas!

Gigantescas cubas de alumínio controladas electronicamente conseguem fermentar, em 25 dias, cerca de 20 000 litros de vinho, o bastante para encher qualquer adega particular de vida. Para atingir a qualidade desejada, nenhuma das famosas garrafas do espumante da Murganheira sai para os mercados, nacionais e estrangeiros, sem ter, pelo menos, três anos de repouso nas profundas caves.

A aldeia de Ucanha presta homenagem a São João Evangelista, seu santo padroeiro, com a mais participada e principal festa da Freguesia. A festa anual realiza-se no dia 27 de Dezembro e pode contar com actos religiosos, missa e procissão religiosa.

Porém, há actividades para todos os gostos! Pode contar ainda com muita animação num dos melhores arraiais populares.
Fruto da preparação e trabalho da população, a festa sintetiza o sentimento duriense, num apelo à consolidação do grupo à volta dos elementos sagrados e profanos com um forte simbolismo.

Uma das tradições que permanece enraizada durante a festa é a da eleição, com o devido ritual, do futuro “Juiz” da festa. O “Juiz” da festa do ano decorrente faz-se acompanhar de uma banda musical, percorrendo as ruas da aldeia, até à casa daquele que será representante da Comissão de Festas do ano seguinte. No final é oferecido um ramo de flores ao novo “Juiz” ficando, desta forma, validado o convite.

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