Um bastião religioso e etnográfico do Douro

Trevões é uma aldeia localizada no concelho de São João da Pesqueira, num planalto retalhado por campos lavrados e rodeado por socalcos repletos de vinhas, interrompidos por zonas mais montanhosas, onde sobressaem as florestas. Para além do vinho produz culturas como azeite, frutas e produtos hortícolas. Tem ainda, na mancha florestal, produção de madeiras como o pinheiro e o eucalipto.

Trevões foi elevada a Paróquia no século XIII e tem como padroeira Santa Marinha que, segundo reza a história, foi uma de nove irmãs martirizadas e perseguidas por se converterem ao cristianismo, acabando por ser degolada após sucessivas torturas, das quais saiu miraculosamente curada. Realiza-se em Julho a festa em sua honra, na Igreja Matriz, classificada como monumento nacional, que lhe é dedicada.

É uma terra de grande religiosidade, bem patente no grande número de capelas e ermidas que apresenta e na existência de ricas tradições e manifestações de índole religiosa, não podendo deixar de destacar-se, a Capela de Nossa Senhora da Conceição do século XVII, situada na praça da vila, bem como a conhecida Procissão do Senhor dos Passos que se realiza em Abril durante a Semana Santa.

O Museu Etnográfico de Trevões é outro grande atractivo que merece visita, pois é aqui que se encontram guardadas as memórias de um povo, as suas raízes e tradições.

Para os amantes da caça, Trevões também proporciona emocionantes jornadas de montaria ao javali, durante os meses de Janeiro e Fevereiro, e que têm recebido vários elogios de todos aqueles que participaram.

Conheça os tesouros desta bela Aldeia Vinhateira

A antiguidade da devoção a esta santa, Santa Marinha, e à referente paróquia remontam às inquirições de D. Dinis, em 1258, remetendo a origem da fundação desta igreja para esta época.

No entanto, este elemento remete-nos estilisticamente e no seu conjunto para o século XVIII. É classificada como Monumento Nacional e apresenta uma só nave. Na parede por trás do retábulo-mor foram recentemente encontrados dois painéis de pintura a fresco, datáveis do século XVI. Foram executadas sobre pedra de xisto, o que leva a supor a existência de uma estrutura anterior.

Este edifício oitocentista pertenceu aos Bispos de Lamego, que apresentavam o vigário e aqui residiam, administrando a justiça civil e recebendo as dízimas. Singulariza-se pelas duas fachadas nobres que possui, sendo que uma delas, a nascente, integra o brasão lavrado ao gosto rocaille.

Merece especial destaque um elemento curioso e peculiar: um óculo que se abre no extremo da fachada sul, e que é tradicionalmente conhecido como “olho do bispo”, porque só depois de verificar que o número de paroquianos era suficiente é que o bispo saía para celebrar a Missa.

Projetado pelo Associação Sociocultural de Trevões, este Museu tem como primordial missão a divulgação e exposição de utensílios representativos do quotidiano agrícola que caracteriza a vida sociocultural e económica desta Aldeia Vinhateira, com o objectivo último de preservar a memória desta povoação.

Ao visitarmos esta estrutura museológica retiramos, sobretudo, a dimensão e a riqueza que esta povoação abarca. Ao percorrermos este espaço percebemos, fundamentalmente, a vida dura que os antepassados trevoenses debateram e o importante legado que deixaram.

Mandada construir por Francisco de Almeida Caiado, deputado do Santo Ofício em Coimbra, foi, no entanto, D. Francisco Xavier de Almeida Caiado Melo e Vasconcelos quem, no século XVIII, dotou este solar da imponência que ainda hoje é manifesta e a tornou numa das mais importantes da zona.

É composta por três corpos articulados, de características estilísticas maneirista e barrocas, com apontamentos rocaille. A capela, situada na extremidade oeste da casa, integra pinturas murais com as quatro Virtudes Cardeais e arquitecturas em perspectiva de Pascoal José Parente, pintor italiano de grande relevo em Portugal, no século XVIII.

A casa tem marca própria de produção de vinho do Porto, “Solar dos Caiados”.

Trevões, revestida de grande solenidade e emotividade, presta homenagem ao Senhor dos Passos com uma procissão onde, simultaneamente, é representada a Via–Sacra e reproduzidos quadros vivos pelas principais ruas da aldeia, durante a Semana Santa, revelando a devoção religiosa da população.

Porém, há actividades para todos os gostos. Os homens e mulheres de Trevões cantam “ao desafio” durante toda a noite, pelas ruas, num momento de convívio e animação entre a população.

As artes tradicionais praticadas outrora são já poucas, sendo os sapateiros, dos únicos representantes do artesanato em Trevões.

Com grande tradição em Trevões, os artesãos mantêm a produção artesanal de calçado, permitindo, ao visitante, testemunhar a sua habilidade e criatividade.

Montarias ao Javali existem muitas. Porém, é em Trevões que se organiza uma das maiores e mais concorridas da região, animando e esperançando por uma boa caçada, cerca de 150 caçadores, durante todo o dia.

A jornada começa bem cedo, ainda de madrugada, com a concentração dos caçadores e o sorteio de portas. O “Mata-bicho”, refeição típica e obrigatória para o visitante é, provavelmente, o momento mais alegre do dia, seguindo-se a partida para o monte, representando o início da montaria e momento onde a coragem dos caçadores é posta à prova. Um jantar típico, o baptismo e leilão do javali simbolizam o fim da Montaria, num momento de grande celebração onde as histórias de caçadas são um condimento essencial.

O turista que dedicar algum do seu tempo à descoberta desta aldeia não poderá partir sem se deliciar com algumas das especialidades gastronómicas locais, nomeadamente os produtos de fumeiro tradicional.

O salpicão, a alheira, o chouriço e presunto são alguns dos melhores produtos de fumeiro que poderá saborear, numa riquíssima combinação quando acompanhados dos melhores vinhos da região.

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