Séculos de História com a indelével marca Cisteriense

Salzedas, que em latim significa salgueiral, vegetação muito abundante nas margens do rio Varosa. A génese da sua história remonta ao lugar a que hoje se dá o nome de Abadia Velha.

A sua povoação cresceu em torno do Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas. Este que é o grande ex-libris da aldeia, e não só, foi mandado erigir por D. Teresa Afonso, mulher de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques.

De estrutura românica, o Mosteiro foi completamente remodelado no século XVIII. Chegou a ser um dos maiores e mais ricos mosteiros portugueses, detentor de um biblioteca notável.

Na aldeia de Salzedas existem também vestígios que indicam que o Bairro do Quelho foi provavelmente habitado por judeus

Viaje no tempo, com esta magnífica aldeia

A construção deste Mosteiro, empreendida pela mulher de Egas Moniz, D. Teresa Afonso, liga este núcleo religioso às raízes da Nacionalidade.

O Mosteiro surpreende-nos no meio do casario do pequeno burgo, que se formou em seu redor, e a sua imponência está marcada por vários estilos decorativos que foi acumulando ao longo do tempo, desde o românico até a um mais tardio, o barroco.

Classificado como Monumento Nacional é mais um exemplar da Ordem de Cister. Chegou a ser um dos mais ricos mosteiros portugueses, detentor de uma biblioteca notável. Actualmente representa um ponto de visita incontornável pela história e riqueza estilística que encerra.

Salzedas caracteriza-se, também, pelas reminiscências do que outrora poderia ter sido uma Judiaria. No interior de um conjunto arquitectónico urbano mais vasto, o bairro do Quelho, descobrimos ruínas com inscrições e elementos de simbologia judaica que poderão atestar e testemunhar a presença de Judeus nesta Aldeia em tempos remotos.

Este conjunto desenvolve-se a partir de curiosos arruamentos, de traçado muito irregular, que são moldados pelas construções que o compõem e permitem a passagem de uns para os outros, através de invulgares passadiços, integrados nas arquitecturas. Estes arruamentos são também um convite à descoberta de novos símbolos, novas cores e nova história que pode encontrar aqui, na Aldeia Vinhateira de Salzedas.

Nada há de melhor para preservar do que conhecer e, quando podemos, saborear.

É aqui, em Salzedas, que poderá descobrir uma das receitas mais antigas e bem guardadas da tradição monástica da Ordem de Cister do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas: o licor de baga de sabugueiro. A fórmula deste licor só há pouco tempo foi desvendada sendo actualmente comercializada sob o nome de “Sambuco”, fazendo-se, desta forma, referência ao seu nome científico Sambucus nigra.

A baga do sabugueiro, ou baga do Varosa, tem múltiplas utilizações, desde a sua utilização para fins medicinais (também associada a elementos místicos e lendários), à utilização enquanto corante de vinhos e alimentos, originando ainda sumos, doces, compotas e licores. A versatilidade da sua utilização deve-se ao facto de quase todas as partes desta árvore/arbusto serem indicadas para múltiplos usos.

Nas feiras e romarias na região do Douro poderá facilmente encontrar o Biscoito de Salzedas ou, como outros lhe chamam, Biscoito da Teixeira. Contudo, apenas em Salzedas, poderá apreciar este biscoito segundo a receita tradicional dos Monges de Cister do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas.

Muito famoso entre a população local, tanto hoje como no passado, relaciona-se com as comemorações e festas religiosas, altura em que são mais facilmente encontrados, podendo saboreá-lo e comprovar a sua qualidade, assistindo, em simultâneo, às variadas festividades de Salzedas.

Em Salzedas a Semana Santa tem um significado especial. Num cenário onde a religião e as tradições ancestrais assumem uma dimensão marcante, o silêncio e o ritmo lento impõem-se, numa singular procissão pelas ruas da aldeia.

Depois das trevas e da Paixão virá a Páscoa florida, que se celebra com a encenação da Ressurreição de Cristo, num misto entre a representação histórica e religiosa onde a criatividade e a riqueza simbólica se fundem de forma única e imperdível.

Salzedas deseja-lhe boas entradas com cantigas. Por ocasião do Ano Novo, a aldeia prepara-se para receber o Encontro Regional de Cantares das Janeiras.

Apesar dos tempos modernos, as Janeiras continuam a ser cantadas em Salzedas de porta em porta ou, em alternativa, num local central da aldeia, por grupos que se apresentam, com letras e músicas adequadas à época natalícia e apelando sempre para a solidariedade de quem os recebe, na procura do convívio e de um, ou outro, copinho de vinho.

Pode contar com a actuação dos famosos grupos de Cantares das Janeiras provenientes de várias localidades, assim como com a actuação de grupos musicais de Salzedas, peças de teatro e, por fim, a exposição e venda de produtos regionais do concelho de Tarouca.

É aqui, em Salzedas, que a música se deixa ouvir com toda a sua autenticidade.

Terra de muita animação, Salzedas serve de palco ao Encontro de Bandas de Música. Este evento realiza-se alternadamente com o Encontro de Cantares das Janeiras, reafirmando-se como cenário para a confraternização daqueles que, em torno da música e da tradição, defendem o património cultural português.

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