Vista privilegiada sobre as vinhas, Património Mundial da Unesco

Provesende é uma aldeia situada no concelho de Sabrosa, na margem Norte do Rio Douro a cerca de 10 kms do Pinhão. Localizada no alto de um planalto tem uma vista esplêndida sobre a região a região vinhateira regulamentada mais antiga do mundo.

Com a ocupação moura e a reconquista pelos cristãos, foi doada aos Congregados de Santa Marinha por D. Afonso Henriques originando uma lenda – a lenda de Zaide, que deu o nome Provesende.

Nesta aldeia podemos encontrar vários solares e casas brasonadas onde se salienta a Casa da Calçada. Num passeio prolongado pelas ruas da aldeia observam-se os solares em granito e as várias casas nobres que atestam o poder e a riqueza da região.

No centro da aldeia encontra-se a Igreja Matriz e um fontanário, ambos datados do século XVIII. O pelourinho é exibido em memória da autonomia municipal de que a aldeia usufruiu e que foi extinta no século XIX. Existe ainda um castro amuralhado em ruínas.

Uma boa altura para visitar Provesende é durante o Festival das Aldeias Vinhateiras do Douro, que se realiza entre setembro e outubro.

Provesende. Ponto obrigatório de visita no Douro

O poderio da classe nobre é, ainda hoje, recordado por inúmeros solares e casas brasonadas espalhadas por Provesende. Muitos destes solares e casas brasonadas são, também, testemunhas da história do País, do concelho, ou até mesmo das pessoas que por lá passaram.

A Casa da Calçada, pertencente a este conjunto, atesta algumas estórias da história, como é o caso do menino embalsamado com cerca de 200 anos, que lá se encontra e que se diz ser sobrinho dos proprietários ou filho de uma criada, originando grande curiosidade.

A Casa dos Ribeiros ou Casa dos Belezas, como também é conhecida, teve como proprietário, Luís Beleza de Andrade, protagonista de um romance histórico do século XIX, da autoria do portuense Arnaldo da Gama, intitulado “Um motim há cem anos”.

A Casa de Fundo de Vila apresenta-se como a única com jardim e terreno agrícola anexo. A Casa da Praça é a mais antiga de Provesende, datando as suas fundações de 1460. A Casa do Santo, da qual foi senhor Joaquim Pinheiro de Azevedo Leite Pereira, e que ficou na História como aquele que “salvou o Douro da Filoxera”.

Entre outras, todas elas são detentoras de diferentes histórias que o visitante pode desvendar na Aldeia Vinhateira de Provesende.

Bem no centro da aldeia de Provesende encontra-se a designada Fonte Velha.

O ano de 1755, gravado na cartela do espaldar, assinala a sua provável construção, possivelmente sob a ordem do Arcebispo de Braga, D. José de Bragança. Provesende era, desde a Idade Média, couto da Sé de Braga e as insígnias do Arcebispo surgem, também elas, neste elemento.

Ao visitar esta aldeia pare, bem no centro, e admire esta fonte de estilo barroco, que se afigura com as típicas carrancas das bicas, envoltas em folhagem e com olhos amendoados.

Edificada no lugar da antiga matriz, este templo religioso demorou cerca de 40 anos para estar concluído. Foi mandada erigir na segunda década do século XVIII pelo arcebispo, o cardeal D’Alpendrinha, cujos emblemas, com as armas reais, rematam o cimo do arco da tribuna.

Aquando da segunda Invasão Francesa, comandada pelo general Soult, a vila de Provesende foi invadida por uma força do general Loison, que pôs a Igreja Matriz a saque e levou as pratas.

A não perder, no seu interior, o tecto pintado da nave, com uma belíssima representação do Baptismo de Cristo.

Classificado como Imóvel de Interesse Público este pelourinho apresenta-se como um exemplar digno de visita.

Ao percorrer o interior da Aldeia Vinhateira de Provesende somos surpreendidos por este singular elemento, de estilo manuelino, que apresenta uma inscrição com a provável data de construção, 1578. De contemplar é também o catavento setecentista que o integra.

A Capela de Santa Marinha é mais um dos elementos que atestam a longevidade do povoamento da Aldeia Vinhateira de Provesende.

Foi templo pagão até que os godos o cristianizaram, sendo mais tarde doado aos Congregados. Teve origem no IV ou V século, remontando à fase final do império romano, ou seja, um período relativo à sua decadência, em que o cristianismo teria suprimido a antiga religião cristã, sendo neste contexto que surge a possibilidade de se tratar de um templo de fundação paleo-cristã.

No dia de Pentecostes participe, em Provesende, na principal festa da aldeia. Poderá encontrar uma enorme romaria que atrai grande parte da população do distrito, em louvor do Senhor Jesus e de Santa Marinha. Como a maioria das festas populares, apresenta duas vertentes complementares: a religiosa e a profana.

A romaria tradicional cumpre rituais religiosos, como a missa e a consagração da imagem do santo acompanhada por uma marcha ritual (procissão religiosa ao templo de Santa Marinha). Mas não é tudo!

Durante os dias de festa realizam-se feiras tradicionais, actuações de bandas de música tradicional e ranchos folclóricos. Durante a noite existe sempre diversão, com o convívio da população e dos visitantes, nos famosos arraiais, animados por variados artistas.

Para saborear a mais tradicional e enraizada gastronomia portuguesa, Provesende convida-o a experimentar a marca mais premente da sua identidade gastronómica: os seus produtos de fumeiro.

O salpicão, a alheira, o chouriço e o presunto, são alguns dos seus melhores produtos, que poderá saborear numa riquíssima combinação, quando acompanhados dos melhores vinhos da região. Com os melhores produtos e no ambiente agradável que caracteriza a aldeia, cria-se uma experiência única à volta da mesa.

Habituados que estamos a comprar o pão em padarias industrializadas, facilmente nos esquecemos do sabor do verdadeiro pão tradicional.

Porém, na padaria tradicional de Provesende, ainda é possível saborear o pão à moda antiga, saído do maior forno de lenha do distrito e amassado pelas mãos de quem sabe. Além do pão de milho e de centeio são, ainda, especialidades imperdíveis as bolas ou folares de carne.

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