Aldeia vinhateira marcada pela traça religiosa e devoção, com destaque para o vinho e o pão únicos

A freguesia de Favaios está localizada na Serra do Vilarelho, no concelho de Alijó. O povoamento do território que corresponde à actual freguesia remonta à Idade do Ferro. Estes primeiros povos viviam em pequenas aldeias fortificadas (castros), posições estratégicas, havendo vestígios arqueológicos que comprovam que foi perto das muralhas que este habitantes se fixaram. Por toda a Serra do Vilarelho encontram-se muros de pedras graníticas que apontam para a existência, em tempos idos, de uma citânia por estas paragens.

O seu topónimo deriva de Flavias, nome pelo qual a povoação era conhecida na Antiguidade, por corrupção de Flavius, o seu fundador, no século I ou II d.C., assinalando uma ocupação remota no território, provada pela existência de um povoamento castrejo. Aquando das invasões dos Mouros, o castelo de Flávias foi ocupado pelo que ainda hoje é conhecido como o “Castelo dos Mouros” e aí ainda se podem ver as suas ruínas.

Além da deslumbrante paisagem, das marcas arqueológicas, das casas brasonadas e dos monumentos religiosos, Favaios oferece gastronomia de renome. Produz-se aqui o famoso vinho Moscatel que leva o nome da freguesia e desta região demarcada mais além, mas também um pão de características únicas: o pão… de Favaios, claro!

Conheça Favaios, além do moscatel

Quem nunca desfrutou do prazer de apreciar pão tradicional, logo depois de sair do forno de lenha, ainda na padaria, e barrá-lo com um lasca de manteiga, deve ir a Favaios.

Parece inegável a superioridade do afamado pão de Favaios ou trigo de quatro cantos, como também lhe chamam, muito apreciado e procurado por toda a região. O seu segredo permanece nas padarias artesanais onde o pode comprar directamente ou, dada a excelência do produto, encontrá-lo em aldeias próximas e, inclusivamente, em locais de referência no Porto.

De trigo ou centeio, o pão fabricado por processos artesanais e cozido em forno de lenha não é a única especialidade das padarias tradicionais de Favaios. Em alturas festivas encontram-se, ainda, as bolas ou folares de carne, de sardinha, de ovos e tantas quanta a imaginação desejar.

Não é novidade que o vinho moscatel de Favaios é de reconhecida qualidade. Já há dois mil anos ele era levado para Roma onde era apreciadíssimo pelos mais ricos e poderosos, confirmando a excelência do património vinícola da região.

Afirma a população que, a sua excepcionalidade, se deve à proveniência da casta Moscatel Galego, que lhe confere um sabor inconfundível. Produzido pela Adega Cooperativa de Favaios, o vinho moscatel representa um dos ex-libris da Vila, que disputa com qualquer congénere do país, a liderança do mercado. Porque a da qualidade já conquistou.

O Núcleo Museológico de Favaios tem como missão “preservar, documentar, interpretar e divulgar tradições, saberes e artefactos relacionados com o pão e vinho Moscatel de Favaios, no sentido de evocar e de perpetuar na memória coletiva destes produtos prevalecentes na região duriense”.

Este núcleo está instalado na “Obra”, que é o nome pelo qual é conhecido o edifício, que se destaca pelo valor cénico que a fachada principal contempla.

Esta obra setecentista integrava o conjunto do Solar da família Leite Ribeiro. De decoração primorosa com diversos afloramentos do barroco, poderia quase simbolizar o declínio de Favaios, que naquela época viveu momentos difíceis do ponto de vista económico. Foi reabilitada para albergar o Museu do Pão e do Vinho, núcleo do Museu do Douro.

O Castelo de Vilarelho é, provavelmente, o maior castro do concelho de Alijó. Quem visitar este concelho poderá testemunhar nítidos indícios de romanização, assim como, denúncias da passagem e fixação daqueles que seriam os primeiros povos a ocupar este território.

Os vestígios arqueológicos ainda existentes comprovam que foi perto da muralha que estes primeiros habitantes se fixaram, vivendo em pequenas aldeias fortificadas, em posição estratégica.

Para experienciar todas estas vivências passadas, o visitante poderá percorrer a encantada Serra do Vilarelho e aventurar-se na descoberta de muros de pedra graníticos que apontam para a existência de uma citânia por estas paragens.

Os marcos e demarcações do Alto Douro, do século XVIII, são conhecidos como pombalinos como resultado da estreita ligação ao Marquês do Pombal, primeiro-ministro na época e responsável pela legislação da demarcação.

Imóveis de Interesse Público, os marcos pombalinos de Favaios possuem duas tipologias de localização – montanha e encosta – e destacam-se pela sua simplicidade.

Estes monolíticos graníticos perpetuam e assinalam a mais antiga região vitícola demarcada e regulamentada do mundo.

As demarcações do século XVIII, independentemente da variação dos seus limites, assumiram uma continuidade temporal até aos nossos dias e mantiveram uma grande carga simbólica na região.

Terra de inúmeras romarias populares, a vila de Favaios presta homenagem ao Senhor Jesus do Outeiro, com a mais participada e principal festa da Freguesia. A festa anual realiza-se no primeiro domingo de Agosto e conta com um programa diversificado. São dias em que múltiplas atracções, como arraiais populares, procissões religiosas e até diversas actividades desportivas, animam as ruas.

Imprescindíveis são as procissões religiosas que se destacam pela beleza dos andores da Senhora da Piedade e Senhor Jesus de Outeiro, ornamentados com flores naturais e transportados em ombros. A não perder, são ainda as procissões Triunfal e da Penitência nas quais os crentes cumprem as promessas formuladas ao santo padroeiro.

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