Antiga sede de concelho, entre os séculos XIII e XIX

Conta-se que perto da povoação de Barcos existiu, nos primórdios da Nacionalidade, um castelo medieval que terá sido construído pelo donatário da terra para defesa das investidas mouriscas.

Foi sede de concelho, entre 1263 e 1855, integrando as freguesias de Adorigo, Barcos, Santa Leocádia e Santo Adrião. Com a chegada das reformas administrativas do liberalismo, acabaram por se integrar também no município as freguesias de Folgosa, Vila Seca, Pinheiros e Vale de Figueira.

Demarca-se na paisagem pelo seu conjunto urbanístico, denotando-se, à primeira vista, que o núcleo primitivo se organizou em redor da Igreja Matriz. São de destacar as várias edificações medievais, as imponentes habitações da época moderna e modestas casas de cariz vernacular, que se cruzam compondo uma malha urbana de elevado interesse, onde se destacam alguns edifícios de carácter e função mais erudita, como é exemplo a antiga sede de Colegiada que remonta aos séculos XVII e XVIII.

A sua ocupação humana é bastante longínqua, comprovada pelos vestígios arqueológicos e múltiplas lendas que envolvem o monte Sabroso, onde se erguem vestígios de um castro que remonta aos finais da Idade do Bronze. Na Mata da Forca encontram-se vestígios da presença romana, nomeadamente nas ruínas ainda visíveis de um lagar escavado na rocha. Segundo a tradição local, o nome deste sítio deve-se à localização de uma antiga forca.

Dignos de visita são o Santuário de Santa Maria do Sabroso e a actual Igreja Matriz, classificada como Monumento Nacional, que remonta ao século XII e possui um interior ricamente decorado com um tecto pintado representando cenas da vida de Cristo e um gracioso altar em talha dourada .

É também de destacar o velho caminho da Via-sacra que termina junto à Capela de Santa Bárbara e ganha vida na Semana Santa com a presença de quadros vivos por toda a Aldeia, que contam a história dos últimos dias do Redentor.

Conheça esta nobre Aldeia Vinhateira

As origens românicas estão presentes em vários elementos da Aldeia Vinhateira de Barcos.

A organização do povoamento é mais um dos exemplos, sendo o traçado urbano estruturado e articulado por um pólo centralizador, constituído pela Igreja Matriz, a antiga Casa da Câmara e os antigos Paços do Concelho. Estas origens estão presentes em várias representações iconográficas que, pelas ruas e ruelas desta aldeia, se afiguram nas fachadas das casas com dois pisos. A descoberta destes símbolos representa um desafio estimulante para quem quer decifrar e penetrar na aventura que é a História.

Classificada Monumento Nacional em 1922, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção destaca-se, sobretudo, pelo esplendor do seu interior. A raiz deste templo é medieval e nos primórdios da sua existência foi sede da Colegiada de Barcos, sob invocação de Santa Maria de Sabroso ou Nossa Senhora do Sabroso.

A parede da capela-mor encontra-se revestida por azulejos com ornamentos vegetais, de azul sobre fundo branco, mas é o seu retábulo que expressa a grandiosidade de um dos períodos de maior esplendor na arte portuguesa – o Barroco Nacional.

Na cobertura, composta por vinte e oito caixotões, o visitante pode deleitar-se com pinturas alusivas à vida de Cristo e da Virgem sendo o centro dedicado à padroeira, Nossa Senhora da Assunção.

A Aldeia Vinhateira de Barcos é de longínqua ocupação. Prova disso mesmo é o Santuário de Nossa Senhora do Sabroso, que assenta em local de vestígios de ocupação castreja. É de raiz medieval e classificado como Imóvel de Interesse Público.

A importância deste espaço sagrado documenta-se pelo papel que assumiu enquanto matriz da freguesia até à construção da Igreja de Barcos.

No exterior destacam-se as pedras esculpidas dos tampos de sepulturas, com representações admiráveis de cruzes e espadas. Aqui a sombra dos arvoredos, do parque onde se encontra localizada, convida a uma merenda em aprazíveis dias de Primavera e Verão.

Os vestígios arquitectónicos que esta mata reúne são, segundo a tradição local, os sustentáculos de uma antiga forca, onde se realizava a penitência dos sentenciados.

De facto, as marcas da presença humana neste espaço são mais um apontador da antiguidade desta freguesia, com reminiscências de presença romana e altimedieval, onde se localizam ruínas de velhas construções e um lagar escavado na rocha.

Depois de testemunhar mais um dos elementos que atestam a longevidade desta aldeia, o visitante poderá contemplar e descansar numa aprazível zona florestal, caracterizada por pinheiros bravos, carvalhos e giestas.

A Aldeia Vinhateira de Barcos convida-o a saborear um dos seus maiores e mais bem guardados tesouros: a sua doçaria tradicional. Resultado da excelente qualidade da matéria-prima e das mãos que a trabalham, o produto final é inesquecível.

Entre as inúmeras receitas da doçaria conventual, legado dos monges do Convento de São Pedro das Águias, pode encontrar os folares ou bolas caseiras, os rebuçados de ovos, bem como os doces de castanhas, a sopa de castanha pilada ou as célebres falachas, tão apreciadas entre a população. A excelência e singularidade da doçaria regional estende-se ainda, ao famoso bolo-rei de Tabuaço considerado, por muitos, o melhor do país.

A Aldeia Vinhateira de Barcos é o cenário perfeito para dar boas-vindas à celebração do ritual litúrgico processional que, durante uma semana, transforma a aldeia num autêntico quadro vivo das tradições religiosas.

A celebração da Semana Santa constitui um dos actos públicos mais representativos da cultura popular do Alto Douro. Com uma tradição enraizada entre a população, a representação da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, provoca um profundo fervor religioso que, num jogo entre a representação histórica e religiosa, se exibe pelas ruas da aldeia.

A riqueza artística da representação e da imaginação simbólica colectiva e o cenário monumental religioso que lhe serve de cenário fundem-se, durante a Semana Santa, de forma única e inesquecível.

O esforço e dedicação de um ano de trabalho da população de Barcos culminam com a mais importante e participada celebração religioso–popular desta Aldeia Vinhateira.

É prestada homenagem a Nossa Senhora do Sabroso, santa padroeira de Barcos, no mês de Agosto, realizada conjuntamente com a festa de Santa Bárbara, no lugar do Sabroso. Assim, todos os anos revivem-se, de forma intensa, as tradições e costumes locais. Entre as tradições mais enraizadas está a nomeação, no dia de Santa Bárbara, da Rainha da Festa ou priora, (regra geral, uma rapariga solteira das famílias mais abastadas da terra) de origem setecentista que, ainda hoje, pode apreciar.

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